segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Lisboa depois da chuva

Não sei se é a música

Que há nos delineamentos

Do teu rosto

O que me atrai


Ou os meus pensamentos

Estão-me a enganar outra vez

Imagino ou recordo

A cidade onde um dia


Talvez estivesse feliz.

Cidade-deserto

Que no teu vazio te perdes

És tu a luz perfeita sobre os telhados


Numa tarde lúcida e imóvel?

Cidade-destino,

És tu a palavra

Por alguém inventada


Um exercício mental

De alguém que pôs

Num único lugar

A felicidade pura


A claridade de um olhar

Um amor impossível,

A pastelaria habitual

O eléctrico proverbial


E tudo aquilo

Que generosamente

Cabe num postal?

Ouve-me: a chuva parou


E o meu coração

Silenciosamente

Como uma estrela

Cai no teu mar



Poema de Dean Trdak


P.S.) Gostei do texto, portanto quis partilhá-lo com vocês!

Um dia no Alentejo

... Um dia, no Alentejo, gostei de estar vivo, acordei com um sorriso a sair-me pela cara, era uma coisa estranha, analogia que faço de um parto, e o nascido a sorrir-me contínuo na cara, levantei-me da cama, eu e ele, era um tumor de janela, daqueles que nos empurram para a vida, oferecem-te um relógio sem dígitos, nem ponteiros, e tu sorris para dentro desse tempo, com os olhos de alguém que acabou de nascer em ti.

Ofereces as tuas mãos e lavas-lhe a cara, os dentes, a barba, e as outras coisas que devagar continuam todos os dias... Um dia no Alentejo, gostei de saber que vinham para almoçar, cozinhei tão devagar como as outras coisas, um arroz de tamboril com gambas, pus no muito frio o vinho branco, cerveja para quando chegassem, amor a rodos da casa.

Não digo o nome deles, porque para mim nunca terão um nome que os torne mais amados por mim, amor a rodos na casa, sobre as cadeiras, sobre a mesa, água nas torneiras. Um dia, no Alentejo, jurámos estar no funeral uns dos outros, arroz de tamboril com gambas, vinho branco no muito frio, um abraço e um beijo na boca de um homem, na de uma mulher, um beijo na boca de um peixe, um beijo..."


De Miguel Patrício!

Pequeno aparte

Aproveito um pequeno desabafo para lhes falar de uma nova realidade (ainda ontem comentei com família)... a publicidade nos blogs. Não falo daquela publicidade que nos chega ao blog diariamente em forma de SPAM, mas sim a publicidade paga, seja em forma do google adsense seja noutra forma qualquer.

FIzeram-me recentemente uma proposta para colocar publicidade no fundo da minha página. Não interfere em nada com a qualidade da exposição da poesia e vem trazer algo de novo ao blog que não é necessariamente mau... será pequeníssima e mal vão reparar nela, mas vai compensar bastante tê-la (se assim o fizer).

Ao mesmo tempo pondero a possiblidade de colocar adsense, que é publicidade paga por click, ou seja, o blog recebe dinheiro sempre que os visitantes carregarem no link da publicidade sempre que lá virem algo que lhes interesse. Aqui a questão é outra, requer mais espaço e outra interacção dos visitantes. Ainda estou a ponderar se a coloco ou não, sendo que uma coisa garanto e prometo, o conteúdo de qualquer publicidade exposta no "Olhar sobre mil palavras" nunca irá incluir pornografia, sexo, jogo-online e outras coisas más.

Um abraço a quem me visita...!

A mais alta solidão...

"... Enquanto estive no hospital recebi visitas, correspondência, homenagens, entrevistas - tanta coisa que as enfermeiras até brincavam comigo. A senhora das relações públicas dizia que o director do hospital estava zangado pois eu recebia mais correspondência que ele... Estava a brincar, é claro!...

"... Mas a verdade é que recebi muita correspondência e isso fez-me bem à alma. Chegaram cartas de pessoas que não conhecia, apenas com o meu nome, a indicação "alpinista português" e com a morada "Hospital de Zaragoza, Espanha." As pessoas até ignoravam que havia pelo menos três grandes hospitais nesta cidade... Mas o importante é que essas cartas chegaram! Houve muita gente que foi de propósito ver-me, como se Saragoça fosse já ali ao lado. Mas não fui só acarinhado por gente de Portugal. Também os médicos e enfermeiros espanhóis me ajudaram muito, naqueles momentos difíceis da minha vida..."

"... Deixei o hospital 92 dias mais tarde, depois de sofrer amputações das pontas dos dedos e do nariz. Quando entrei ali, já sabia tudo o que tinha perdido para sempre, no Evereste. Mas também já sabia que, pelo menos, para mim a vida continua. Ainda há muitas montanhas para subir. Só mudaram as regras, o jogo continua a ser o mesmo..."


Ninguém consegue ficar indiferente a este final, o final quase feliz do João Garcia, grande referência mundial no que toca a escalar as montanhas mais difíceis do Mundo. Esteve fora uns tempos, agora regressou com vontade para escalar o resto das montanhas com mais de 8 000 metros, sem assistência.

Felicidades, João!

A cidade, como nada tivesse mudado

"... A cidade como se é o Porto como se nada tivesse mudado. (E, em certas ruas e sítios, por fora, de facto nada mudou). Mas refiro-me a nada ter mudado por dentro (de nós), nos afectos e memórias e na relação de amor unívoco que com ele mantemos. A cidade como se é possível porque inventada - entendi distintamente a significação de tal ideia. À boa maneira pragmática do Burgo, existe porque sim..."


Mais um excerto do livro "Porto da cidade inventada..." de Hélder Pacheco.
Aconselho a ler... vivamente!

Na encruzilhada dos afectos

"... Uma cidade onde cada recanto nos evoça a lembrança de alguém, onde muitos sítios nos prendem numa teia de referências que balizam os instantes de viver - ou quem poderá advinhá-lo? - de morrer. Uma cidade onde as separações e as ausências suscitam a vontade, por vezes irreprimível e inexplicável, de regressar conforme o sentido revelado por Augustina, numa das personagens da história de Fanny Owen: quando se viu naquele paço que parecia inspirado num cenário de cosi fan tutti, deram-lhe umas saudades tão pungentes do Porto, que pouco faltou para meter os pés ao caminho e voltar para lá..."


Excerto retirado do livro "Porto da cidade inventada"
Actualmente, o meu livro de mesinha de cabeceira. Tenho aprendido coisas incríveis sobre esta magnífica cidade!

... Da cidade inventada

A minha musa é nobre e independente
E não sabe moldar-se a adulações
Despresa a opinião profundamente
E não procura glória nos salões
No teatro, não vai com voz dolente
Mendigar, como os magros histriões
O aplauso banal, inconsciente
Exibindo uma vis carminações.
Não lisonjeia o gosto das plateias
Nem adormece o público curvado
Ao canto amolecido das sereias
Não vai mostrar-se nua no tablado
E, todavia, entua-lhe nas veias
Um sangue ardente, juvenil, ousado!


- A propósito do benefício dado por Emília Adelaide à Sociedade Tipográfica Portuense. Excerto retirado do livro "Porto da cidade inventada", de Hélder Pacheco

domingo, 31 de agosto de 2008

Sentido... de hoje

Já alguma vez sentiram o mundo desabar sobre vocês? Já alguma vez perderam a força de querer continuar por este mundo estúpido e fútil? Tantas vezes levamos verdadeiras bofetadas de pessoas que, achávamos que eram nossas amigas, mas que se vieram a revelar mais tarde. Torna-se mais forte quando vem de dentro, do nosso círculo de amigos, de família (ainda pior) mas como em tudo na vida, recuperamos... engolimos o cabrão do sapo, dizemos que sim a tudo e mantemos a cabeça erguida... bem acima do nível da merda que nos circunda. Peço desculpa por estas palavras mais bruscas neste espaço mas hoje, de facto, sinto-me muito mal. Tão mal que me apetece pegar nas minhas coisas, na minha viola e partir em busca de um futuro melhor. Não tenho quaisquer problemas em admitir que de facto tenho problemas, mas por vezes precisamos de um ombro onde chorar, de um amigo que nos saiba ouvir sem nada cobrar. Como é possível alguém tão nosso AMIGO (supunha) é capaz de nos tramar em tão pouco tempo? Como é possível passar por isto de uma maneira rápida e eficaz? Sinto-me tão triste que nem a minha cadela nem o piano, muito menos a viola me conseguem trazer de volta ao meu mundo, o meu antigo mundo, que tanto gostava...

Ao menos tenho a certeza que depois de tudo isto acabar saio de consciência tranquila e com tudo o que devia (pago...). Apetece-me dizer adeus a tudo, pôr o orgulho para trás das costas e partir em direcção ao infinito. Estou a precisar de um ombro onde possa desabafar, já nem a minha almofada me ouve como deve ser. Nem as francezinhas me deixam saciado (a minha fome é outra). Sinto-me tão f.... que nem percebo como cheguei a este ponto. Coloco-me em frente ao espelho e faço as perguntas de sempre (aquelas, dos pais arrependidos quando perdem os filhos para algo mais forte, como a droga ou a prostituição...):

1º) Onde é que eu errei?

2º) O que me faltou fazer?

3º) Quem são aqueles/as que me querem bem?

4º) O que posso fazer para melhorar? Para recuperar o tempo perdido?

Todas estas perguntas ficaram sem resposta... Nem o jazz ao fundo me fizeram pensar com clareza, nunca pensei (verdade) chegar a este ponto. Apetece-me pegar no carro e só parar no fim do mundo, não interessa onde é que fica... apenas fugir por uns tempos e reflectir na bofetada que me deram, mas que raios... Quer dizer, uma pessoa esforça-se por agradar aos pais, luta para não ficar atrás dos amigos (sempre mais inteligentes...) e fazem-nos isto? Sinceramente não entendo o que preciso fazer para começarem a valorizar o que faço (e não só na escrita ou na música), em tudo... mas mesmo tudo. Talvez se eu fosse um filho prodígio, com grandes notas, com uma namorada esbelta, da Foz com um Porsche na garagem, talvez assim me deixassem de chatear e me deixassem disfrutar das coisas que a vida me vai oferecendo, isso sim, coisas que não tem valor: AMIGOS com letras grandes, neste momento tenho 3, e sinto-me uma das pessoas mais sortudas do mundo. Só elas têm a paciência para me ouvir, para me ajudar nas questões que não fazem sentido, mas que para eles são simples...

Fico à espera de mais amigos destes. Se for possível liguem-me: 91.....3.

Quem sabe, se o meu tempo por estas terras não está perto do fim, e parta à descoberta da vida (tão difícil que está... mas resolve-se)

sábado, 30 de agosto de 2008

A lua de Joana

Olá amigos, mais uma vez. Recentemente peguei num dos meus livros preferidos (há uns anos atrás), e ao reler amei de novo as palavras que a Maria Teresa Maia Gonzales escreveu. É uma história simples, mas muito muito bonita, e por isso gostava de partilhar convosco alguns excertos (quase final do livro):

"... Querida Marta,
Fui ter com um amigo da Rita e mandei fazer uma tatuagem no pulso: um relógio... Agora tenho um relógio eternamente parado nas zero horas.
Pelo menos este não poderei vender... a minha mãe teve uma crise de nervos quando me viu o braço e deu-me uma estalada. Não senti a dor, porque já tudo me doía.
Quando o meu pai chegou a casa, depois do jantar, deu-me uma fúria, e, por momentos, senti uma enorme vontade de levantar o braço, pôr-lhe em frente da cara e berrar com toda a força "Agora sei sempre a que horas vais chegar, Pai! Este relógio é o único que tem as tuas horas! Estás contente?!"
Mas não lhe disse nada. Nem ele a mim...
Não aguento mais. Preciso urgentemente de fazer uma cura qualquer. tenho de sair daqui... tenho montes de coisas para estudar, mas não dá para pegar num livro. Sinto a cabeça nos pés. Debaixo dos pés.
Um beijo da Joana..."


"... Querida Marta,
Estou em casa do meu tio Augusto, irmão do meu pai. O Diogo entrou finalmente num processo de desintoxicação...
A minha mãe veio cá ontem ver-me e sentámo-nos as duas no jardim. Não falamos de nada importante, porque não estamos habituadas a conversar de algo que interesse ás duas. De qualquer forma foi bom...
O meu pai é que ainda não veio ver-me. Telefona e diz sempre quando tiver um tempinho, virá. Julgo que, desta vez, nem é uma questão de tempo, é só uma questão de medo. Ele não consegue ver-me assim...
Se ele soubesse como era importante que viesse cá ver-me...A minha mãe contou-me que ele anda abatido por minha causa... "O pai gosta muito de ti Joaninha..." Que raio de maneira que ele tem de gostar! Onde é que ele estava quando eu me meti nesta porcaria'
Um beijo da Joana..."


"... Querida Marta,
Esta noite tive o pesadelo mais incrível de sempre!...Eu estava sozinha num lugar que parecia o céu, mas não era... Comecei a subir as escadas e, quando cheguei quase o cimo, vi que estava alguém à minha espera. Era uma espécie de anjo, com um manto escuro, mas não tinha cara... percebi que tinha de segui-lo...
Que é isso? (perguntou a mãe ao pai)
São cartas... da Joana...
Encolheu as pernas lentamente e fixou os olhos inchados naquele baloiço estranho suspenso no tecto em forma de lua.
Desapertou a correia do relógio e pousou-o devagar sobre a mesinha. Agora, tinha todo o tempo do mundo. para quê?..."


Amigos, até ao próximo post!

Reflexão para o fim de semana

Olá amigos, recentemente li uns excertos na Net do livro da Laurinda Alves "Xis Ideias para pensar", e gostei tanto destas palavras que decidi partilhar com vocês. Então aqui vão as palavras desta grande escritora...

"... Porque será que insistimos em contar ás criancinhas histórias de príncipes e princesas que casam, têm muitos filhos e são felizes para sempre?
A versão moderna destes contos infantis são as chamadas revistas cor-de-rosa que exibem uma vasta gama de "beautiful people" permanentemente rodeada de amigos, casas, carros, iates e filhos sempre divertidos e bem vestidos.
Façam o que fizerem, digam o que disserem, a ideia é dar a todas estas pessoas uma imagem próspera e feliz.
Tudo à nossa volta parece indicar que o casamento é sinónimo de felicidade e estabilidade imediatas e nada nem ninguém nos prepara para a realidade que pode ser incrivelmente feliz mas passa por fases de adaptação e tem, necessariamente altos e baixos.
Por outro lado, nunca ninguém diz que, após o nascimento dos filhos, muitos casais entram em crise. A ilusão que persiste é a de que um filho pode salvar um casamento mas, na verdade, um filho raramente salva um casamento em crise. Antes pelo contrário, pode gerar desentendimentos até num casamento razoavelmente estável. Casar ou ter filhos podem ser experiências extraordinariamente importantes e construtivas desde que vividas de forma realista. Desde que não contemos com aquilo que ninguém nos pode dar.
Um casamento feliz não tem nada a ver com o clássico mas sim com um investimento afectivo diário, com uma vontade de fazer mais e melhor e com uma aposta permanente no crescimento, valorização e realização do outro.
Daquele que está ao nosso lado. Só prestando atenção ao outro e ás suas próprias expectativas de felicidade é possível ser feliz e, então sim, ter muitos filhos e ficar juntos para sempre..."


Espero receber comentários vossos... até porque é um texto que nos faz reflectir, e muitas das pessoas que o vão ler já passaram por isto, quer a nível pessoal, quer a nível de amigos. Um abraço do vosso amigo do "Olhar sobre mil palavras..."

F. Az

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Verdade (deira)

O melhor amigo é aquele com quem nos sentamos por longas horas sem dizer uma palavra e, ao deixá-lo, temos a sensação de que foi a melhor conversa que já tivemos...

A amizade é um amor que nunca morre. A amizade é uma virtude que muitos sabem que existe, alguns descobrem, mas poucos reconhecem. A amizade quando é sincera o esquecimento é impossível. Amizade, palavra que designa vários sentimentos que não pode ser trocada por meras coisas materiais... Deve ser guardada e conservada no coração!! As pessoas entram nas nossas vidas por acaso, mas não é por acaso que elas permanecem. Celebrar a vida é somar amigos, experiências e conquistas, dando-lhes sempre algum significado. Felicidade é a certeza de que a nossa vida não está a passar inutilmente...! Sou feliz porque tenho amigos especiais, se bem que alguns, já me fizeram sofrer. É assim, a VIDA!

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Força Interior

No dia que estiveres triste
Fecha os olhos, viaja...
Pelos teus pensamentos até encontrares
A felicidade, que teima em fugir

Como grãos de areia...
Finos grãos que fogem da mão
Sem podermos fazer nada
A não ser os ver fugir...

Quando tiveres triste fala à tua amiga
Àquela que te tem no coração
Pede-lhe um favor...
Ela nunca vai dizer que não

Pensa em todos os momentos
Que passaste... aquelas tardes na praia
Os fins de noite à conversa
As pipocas e os filmes sem intervalo

Pára um pouco e pensa
Pensa nela... porque onde estiver
Está feliz por ti... por seres como és
Mas também tem saudades

Muitas saudades...!
Não estás sozinha nesta luta
Quando quiseres, fecha os olhos
E faz uma instrospecção

Assim poderás atingir o equilíbrio
A força, a genica... que precisas
Mas que as circunstâncias da vida
Teimam em te tirar...

Por momentos fecha os olhos...
Ouve com atenção esta balada
Que fiz para ti...
Directo do meu coração

O amigo é para isso mesmo
Para te apoiar, para te ouvir
Estou aqui... SEMPRE
Para TI!

Que futuro para Portugal?

Caros leitores, muitos de vós (jovens, principalmente) colocam esta questão várias vezes: O que é que eu vou estar a fazer daqui a 10 anos? Quem é que vai estar comigo nessa altura?

Se durante anos essas questões não me passaram pela cabeça, agora com o tempo, essas são as questões fulcrais que me "ocupam" a cabeça, quanto mais não seja, por uns minutos do dia. Como sempre tive aquilo que queria (regra geral) sempre pensei que fosse assim até ao fim, mas não me parece que o mundo lá fora seja, um perfeito mar de rosas. Porque senão vejamos:

1) Desemprego não desce =( SOBE! O nosso primeiro ministro continua com a ideia de que vivemos num país seguro, que não há desemprego, os ENFERMEIROS, os MÉDICOS estão todos no mercado de trabalho...)

2) Assaltos à mão armada em plena luz do dia

3) Preços das habitações... é melhor nem dizer nada

4) Gasolina (Dizem que sobe, por culpa do Dólar... Tretas) - Por isso é que as grandes petrolíferas têm ganhos de 300 milhões de euros em 6 meses.

Acho que já chega de dizer os MALES deste país. É preciso mudar, talvez as eleições autárquicas ajudem, mas mais ainda as LEGISLATIVAS, em Março de 2009. Vamos esperar para ver...

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Quem nunca sentiu...?

Ontem, antes de adormecer estava a deliciar-me com uma música do tipo Jazz, quando me perguntei:

- O que é que eu posso fazer mais para ajudar? E posso garantir que esta questão me fez pensar durante alguns momentos. Reflecti na vida que me proporcionaram, nos momentos fantásticos que já vivi, junto daqueles que mais me dizem, dos passeios sem destino pelo Porto, apenas com o intuito de conhecer os tesouros, que esta cidade esconde, entre ruelas, becos, calçadas, arcadas, ruinhas que terminam à beira-rio, ruas que nos levam a grandes avenidas, ruas povoadas de gente que caminham, sabe-se lá para onde, se vão ao dentista ou ao cabeleireiro, se vão acabar ou começar uma nova etapa nas suas vidas...

Por momentos pensei numa amiga especial, a quem me ofereceu tanta coisa em tão pouco tempo, no tempo que tem para mim quando mais preciso, na paciência que tem em me ouvir, pelo sorriso que me proporciona pelo seu estado de espírito (sempre positivo, diga-se)... e perguntei-me se a tenho ajudado naquilo que ela realmente precisa. A resposta pode ser curta, mas com sentido. Pode ser longa, mas confusa. Porque não usar um "Meio termo"? Aí ficaria como sempre fico:

- Na incerteza
- Na dúvida
- Na insegurança

Tento-me virar para o outro lado e imaginar-me no papel dela. Um papel ingrato: Deixar a família para trás, os amigos, as melhores amigas e bater asas para outro lugar, ou continuar a lutar por um objectivo definido desde os primeiros tempos de vida.

Se por um lado, gosto da ideia de a ter por perto como amiga, por outro, gostava de a ajudar a concretizar o seu sonho. Nestes poucos meses de convivência e conversa vi aspectos e virtudes, qualidades e defeitos que nunca vi em ninguém... Verdade seja dita, não vi nenhum defeito, mas qualidades vi muitas. É muito AMIGA dos seus amigos, é uma pessoa verdadeira, que tem orgulho em ser o que é, em ter tirado o curso com que sempre sonhou, sempre bem disposta, e disposta a ajudar quem realmente precisa. Tenho sido um amigo sincero, verdadeiro, presente nos melhores e piores momentos, mas acho que não fiz tudo para a ajudar. Se tivesse feito melhor talvez ela não precisasse de bater as asas para outros locais.

Adoro a sua maneira de ser, a alegria com que sempre me recebe e a maneira como encarou tudo na sua, ainda curta, vida.


P.S.) Este post foi especialmente escrito para alguém muito especial, que quando ler, saberá que é para ela.

Há momentos...

... Que as palavras não resolvem, mas ajudam. Quando ficamos sem elas, o melhor é mesmo escutar as que têm para nos dizer. Principalmente se sabemos que nos dizem essas palavras porque se elas ficarem presas lá dentro vão apertar o peito e impedir a respiração e quem sabe, até o bater do coração...

... As palavras são apenas palavras, mas é com elas que conseguimos vazar para os outros as nossas emoções, boas ou más, e libertarmo-nos dos fantasmas que nos atormentam nos momentos maus da vida...

... É também pelas palavras que podemos receber o consolo e o carinho de uma voz serena. É pelas Suas palavras que ouvimos o que Deus tem para nos dizer. Por isso, que direito temos nós de menosprezar o valor das palavras?

A nossa Amizade

A nossa amizade é como uma orquídea, daquelas lindas e delicadas de que tu tanto gostas. É suave, é bela, é única e perfeita. E tal como uma orquídea, não é porque alguém a elogia ou repara nela que ela é bela. Ela é assim, e pronto. Independentemente das circunstâncias que a rodeiam. Foi plantada com dor, foi regada com algumas lágrimas, e, por isso mesmo, tem sido tratada com alma e carinho...

... De vez em quando a flor cai, mas tal como a nossa amizade, o facto de não a vermos só significa que se prepara para se mostrar num botão ainda mais belo que o anterior e depois revelar-se, quando é necessário, na mais maravilhosa manifestação da natureza...

... Como tu sabes, somos agora três as flores deste pé e mesmo que uma delas, qualquer que seja, por pouco tempo murche, nascerá sempre de novo em todo o seu esplendor...

... É nisso que eu acredito, porque sei que o nosso jardineiro é um Deus muito poderoso que nos mima e protege todos os dias. E claro, agora ainda mais a ti. Amanhã estarei contigo com todo o meu carinho e toda a minha fé. Com o meu pensamento e as minhas orações. O maior abraço com todo o carinho."


Texto, igualmente retirado do blog: http://aquietando-se.blogspot.com

Para cima...

E as portas do céu se abriram
Quando tu me estendeste a mão,
Tão firme e poderosa, no entanto,
Tão doce e terna...

Não sei o que aconteceu. A vida me distraiu
Algo bem menos importantes, mas o momento passou
E eu?
Eu perdi aquele instante

E a vida foi correndo, bem
Menos mal, bem, depressa
Bem depressa,
E eu fui esquecendo, adiando olhar para o céu

Se cá em baixo tudo eram rosas
Porquê olhar para cima?
E a vida ia correndo
Uma vida incompleta

Sem eu perceber porquê
Eu sabia onde Tu estavas
Eu sei onde Tu estás
Mas tudo aqui em baixo, me tomava a atenção

E eu esqueci-me
De levantar os olhos
E de te procurar

Achava que me estava a sair bem
Sozinha,
Sem ti, sem ninguém

Mas quando, naquele dia a vida trovejou
Os meus passos cambaleando se trocaram
Os momentos se abalaram, a figueira não floriu
A Primavera não voltou, e a oliveira mentiu...

Caí!
Os meus joelhos dobraram
As lágrimas correram, meu semblante descaiu
E vi finalmente!

Vi! Mas com os puros olhos do coração
As portas abertas no céu, e o resto da minha vida
Bem segura e protegida
Na palma da tua mão!!


Poema retirado de um blog: http://aquietando-se.blogspot.com

Palavras essenciais

Talvez hoje tenha dito muita coisa...

Talvez hoje tenha guardado tanto, mas tanto que já não armazeno as notícias que me chegam do outro lado do mundo...

Não abro o jornal para não ler as desgraças... Não ligo a televisão para ouvir o costume: o aumento dos combustíveis, continua a aumentar o desemprego, o nosso primeiro ministro continua a acreditar que vive num país seguro, num país em crescimento, num grande país...

Hoje, talvez não tenha falado aquilo que queria... Falta-me a coragem, a vontade (talvez intrínseca, ou extrínseca)... Talvez não me deixem falar aquilo que eu gostava tanto de dizer. Acreditem que por muito tempo não vou falar, mas quando voltar "à carga" serei implacável...

Estou farto de ser sempre o "mau da fita", o "que não se esforçe", o "menino protegido", o "que trabalha por ser quem é", por ter "nome"...

CHEGA! Sinto-me cansado de levar com as mesmas bocas, com as mesmas piadas... Um dia chateio-me e digo... TUDO!

Quem sabe, se agora, não falei de mais... Mas o que é certo, é que falei as palavras essenciais...

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Os bêbados... numa cidade perto de Si

Pois é, caros leitores. Se as más línguas dizem que Espinho parou no tempo e que não tem melhorado, estavam enganados. Se por um lado temos a requalificação urbana (da rua 22 para baixo) e a nova estação dos caminhos-de-ferro) Espinho tem mais um motivo de orgulho. E não, não foi criado mais um centro comercial. Não! Realiza-se durante este mês de Agosto a 4ª edição do Festival da Cerveja de Espinho, na antiga paragem de autocarros. Se por um lado temos os "Francius" e os "Camons" temos espalhados pela cidade restos de comida (com caixotes do lixo ao lado), copos da famosa SB espalhados e ao vento.

Por momentos achei que estava num país diferente, do tipo Angola, mas depois percebi que estava na minha cidade, infelizmente...

Por isso, se quiserem álcool barato e umas sandes mais ou menos venham até Espinho!

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

IURD em Espinho

Caros leitores do "Olhar sobre mil palavras". Apesar de estar por terras de sua Majestade, o Rei D. Carlos, do famoso "Porque no te callas?" consigo ter acesso a notícias da nossa terra, e posso-vos dizer que foi mirabolástica, bombástica, explosiva... O Teatro São Pedro, antiga sala de espectáculos da cidade de Espinho passou a ser propriedade da Igreja Universal do Reino de Deus. Quem se deslocar para esses lados em dias de encontro vai ter dificuldades em arranjar sitio para estacionar, para circular nas artérias mais próximas. Foi comprado por um preço simbólico (tendo em conta o que facturam com o dinheiro dos coitadinhos), 1 milhão e 200 mil euros, com uma renda mensal que ainda não se sabe o valor. Não se sabe ainda quando irão ser as primeiras missas, mas não estou "crente" em relação ao resultado final.

Espinho está mesmo a caminho da "divine decadance", ou em bom português "época da próstata inchada". Ainda temos mais um ano para andar de "mota", e veremos qual será o resultado de mais 4 anos de partido socialista na Câmara Municipal?

Será que Rolando Sousa tirou o passe para continuar a ser o ETERNO Nº 2 da CME? Fica a questão no ar. Os mais inteligentes e os "sem medo" que respondam. Beijos e abraços, continuação de boas férias

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Porto, duas vezes

Quando, de longe diviso
A mancha do casario
Em cascata sobre o rio
Não sei conter um sorriso

Nem um suspiro bem fundo
Tantos caminhos no mundo
E todos a ti vão dar
Nobre cidade do Porto!

Cheguei vivo - e vinha morto
Bem morto para te encontrar


Minha cidade de sombras
Senhora de tanta beleza
Que encerras tanta tristeza
Entre os teus muros pesados

Porto antigo, aconchegado
Nas ruelas do passado.


De:
Rodrigues Canedo
&
Fernando Pacheco

Palavras directas

Hoje apeteceu-me escrever
Peguei no papel e na caneta
E comecei a divagar...
Lenta e caprichosamente

Como se de um soneto se tratasse

Não me preocupei
Como sempre aconteceu até hoje
Com as rimas, os tempos verbais perfeitos
E as fonéticas

Peguei no papel e escrevi
Até a folha acabar
Li, reli, rasguei
Mas com vontade de recomeçar

Não tinha um tema específico
Um fim pensado
Apenas teria que ser
Algo bem estruturado

Por momentos me lembrei
Das nossas conversas
Das nossas consultas
Sem nenhum de nós as cobrar

Pensei em escrever sobre ti
Sobre a nossa bela amizade
Está-se a acabar a tinta
E também o papel

Mas antes que ela acabe
Gostaria de escrever
Aquilo que queria
Pessoalmente dizer

Escrevo um "J"
A caneta pára
Assim como o meu coração
Porque um dia te perguntei algo importante

E tu disseste que não!

Fechei a caneta
Deitei a folha ao chão
E deixei-a ficar
Até o vento a levar

Com esperança que ela fosse
Ao teu encontro, numa noite de luar
E que as palavras que tu lesses fossem:
- Deixa-te ficar...!

Nem que seja por uma noite
Fecha os olhos e coloca sobre o peito
A tua delicada mão. Agora...
Abre para mim o teu coração


F.M.Az
Espanha, 7-08-2008



sábado, 2 de agosto de 2008

Aprendi

Aprendi que crescer não significa que fazemos anos
Que muitas vezes o silêncio é a melhor resposta
Que trabalhar não é só para ganhar dinheiro
Que para conquistar os amigos temos de nos mostrar como somos

Que os verdadeiros amigos ficam connosco até ao fim
Que a maldade se esconde atrás de uma bela face
Que a felicidade tem de se procurar

Que nunca sabemos tudo
Que a Natureza é a coisa mais bela da vida
Que amar é darmo-nos por inteiro
Que se pode conversar com as estrelas

Que me posso confessar à Lua
Que ouvir uma palavra de carinho faz bem à saúde
Que é preciso sonhar,
Que se deve ser criança a vida toda

Que somos livres...Aprendi que não é depois de morrer que vou poder aprender a viver


Leiam e releiam este texto, porque é de facto verdade!
Bom fim-de-semana!

Uma gaja acabada em IA

De quem será este corpo
Por trás do meu espelho?
Vejo, vejo
Mas nele não me revejo

De quem será este corpo
Mal feito... tanta gordura
Preciso de fazer exercício
Para manter a postura

Lutei tanto para ser modelo
Acreditem. Lutei até não mais poder
Não sabia que para ter um contrato
Não podia mais comer!

Quem é esta gente?
O que fazem aqui?
A cumprimentar a minha mãe
E a minha amiga Nini!

Vajo-me aqui deitada
Ao lado da minha avó e da minha tia
Talvez por causa de uma gaja
Chamada Anorexia!


Poema escrito por mim, numa altura em que em que a morte na MODA passou a ser notícia!
Mas já existe há muito, muito tempo. Infelizmente!

quinta-feira, 31 de julho de 2008

O meu nome é "Sara"

Olá amigos. Recebi este poema num mail que uma amiga minha me mandou, e não posso deixar de o partilhar. É sobre um tema que muitas vezes é discutido e apontado como sendo "Crime de ordem pública", os maus tratos a crianças e jovens. O poema é de facto tocante, mesmo à pessoa mais insensível. Então aqui vai:

O meu nome é "Sara"
Tenho 3 anos
Os meus olhos estão inchados
Não consigo ver

Eu devo ser estúpida
Eu devo ser má
O que mais poderia pôr o meu pai em tal estado?

Eu gostaria de ser melhor
Gostaria de ser menos feia
Então, talvez a minha mãe me viesse sempre dar miminhos

Eu não posso falar
Eu não posso fazer asneiras
Senão fico trancada o dia todo

Quando eu acordo estou sozinha,
A casa está escura
Os meus pais não estão em casa

Quando a minha mãe chega
Eu tento ser amável
Senão eu talvez levaria
Uma chicotada à noite.

Não faças barulho!
Acabo de ouvir um carro
O meu pai chega do bar do Carlos

Ouço-o dizer palavrões
Ele chama-me
Eu aperto-me contra o muro

Tento-me esconder dos seus olhos demoníacos
Tenho tanto medo agora
Começo a chorar

Ele encontra-me a chorar
Ele atira-me com palavras más
Ele diz que a culpa é minha, que ele sofra no trabalho

Ele esbofeteia-me e bate-me
E berra comigo ainda mais
Eu liberto-me finalmente e corro até à porta

Ele já a trancou
Eu enrolo-me toda em bola
Ele agarra em mim e lança-me contra o muro

Eu caio no chão com os meus ossos quase partidos
E o meu dia continua com horríveis
Palavras...

"Eu lamento muito", grito
Mas já é tarde de mais
O seu rosto tornou-se num ódio inimaginável

O mal e as feridas mais e mais
"Meu Deus, por favor tenha piedade"
Faz com que isto acabe, por favor
E finalmente ele para, e vai para a porta

Enquanto eu fico deitada,
Imóvel no chão.

O meu nome é "Sara"
Tenho 3 anos
Esta noite o meu pai "matou-me".

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Por uma noite

Tocas no rosto
enquanto o ar não sai
Inspiro sem medo do acto que vem
Envolvo os pés como mãos

Do toque nasce a nossa ilusão
Desenhas os risos de um novo medo
Que o peito demonstra sem qualquer sossego
Faz tempo que a culpa se foi

Ficámos de pensar só depois
Do erro.
Já pouco nos resta fechar os olhos
Escondemos actos sem qualquer receio ou angustia

Que nos prende a vontade de sentir
O corpo com prazer
Rasgas-me a roupa sem qualquer pudor
Enquanto buscas o ar pela boca

Passeias o teu cheiro no meu corpo
Por entre os braços misturo tudo
Após o prazer ficaremos mudos
Sem saber

Se é por uma noite
Grito teu nome sem saber
Como será o amanhã
Foi um sonho real

Por uma noite.

Letra e música de Klepht

segunda-feira, 28 de julho de 2008

O fim de semana em revista

Bom dia, caros leitores do "Olhar sobre mil". O fim-de-semana foi rico em acontecimentos, desde aquele grupo de ciganos que conseguiu desarmar seis polícias, desde o grupo de mânfios que foi apanhado em Espinho a roubar carteiras a senhoras, às declarações polémicas sobre o caso Maddie.

O espanhol Quique Flores continua sem saber o que é o sabor da vitória. Em três jogos pela equipa da Luz, apenas contabilizou um empate (com o Estoril) e duas derrotas, uma com o Blackburn Rovers por 3-0, e ontem 2-0 com o Sporting. Já está a fazer contas à vida: Porque é que não fiquei em Espanha? Continuaria a beber Coca - Cola e se calhar não ganhava problemas no estômago.

No que toca aos vizinhos da 2ª circular, o Sporting já está com ideias que é o principal candidato ao título por ter vencido o "Torneio do Guadiana" e por ter visto a equipa dos dragões perder por 1-0 frente ao Celtic de Glasgow na apresentação aos sócios, que já se renderam às fintas e cruzamentos tensos de Cristian Rodriguéz, que esteve na Luz a época passada. Quem não estava com um ar muito satisfeito era Ricardo Quaresma, que garantiu que gostava de sair para a cidade da moda, Milão. As declarações caíram tão mal aos ouvidos do Prof. Jesualdo Ferreira que nem jogou frente ao Celtic.

As declarações de João Moutinho também lhe valeram uma "Não chamada" ao onze inicial do Sporting para o jogo de ontem, depois de dizer que não queria jogar no clube de Alvalade. A equipa de Alvalade tem dois problemas para resolver: a dispensa indispensável de João Moutinho e o novo defesa contratado, Hélder Postiga, que mais uma vez mostrou ontem porque é que saiu dos lados da VCI.

O caso Maddie foi arquivado (como era de se esperar) e agora é esperar que o casal McCain faça uma queixa crime contra o Estado Português, por tudo aquilo que os fizeram sofrer. A mim basta-me esperar uns tempinhos e saber quanto é que vamos ter de pagar aos "camones". Ficou mais uma vez provado, que em Portugal "O Crime compensa".

Até ao próximo post!
Um abraço!

terça-feira, 22 de julho de 2008

A moda

Ao fim e ao cabo, o que é a moda? Do ponto de vista artístico, é uma forma de fealdade tão insuportável que nos vemos obrigados a mudá-la de seis em seis meses...

(Palavras de Oscar Wilde)

Um homem que nunca muda de opinião, em vez de demonstrar a qualidade da sua opinião demonstra a pouca qualidade da sua mente.

(Palavras de Marcel Achard)

O casamento - mero papel?

Antes do casamento, pode existir a realidade do apaixonamento e a intenção de entregar-se. Contudo, não existe a realidade do amor e da entrega livremente assumidos para sempre. Por isso, "fazer amor" é verdade e portanto bom, mas só depois do casamento, que não se fundamenta na celebração externa mas sim no acto da vontade dos que se entregaram para sempre...

... Outra coisa são as condições legítimas para que esse contrato de mútua entrega seja válido. Por exemplo, no casamento religioso, exige-se que a afirmação da mútua entrega se faça perante duas testemunhas e na presença de uma testemunha qualificada que é o bispo ou o pároco (ou quem o substitua legitimamente). Mas repito que o essencial radica na vontade de se comprometer irrevogavelmente. Por isso, no caso do sacramento católico, se, no prazo de um mês não for possível, sem grave incómodo, encontrar pessoa que possa exercer esse papel de testemunha qualificada, basta a presença das outras duas testemunhas. E se o casal está romanticamente perdido numa ilha deserta, bastará a realidade do seu compromisso mútuo. Estão realmente casados, embora ninguém saiba. Mas uma vez dado o sim, dado está, para sempre, ainda que ninguém saiba senão Deus.

Pensem nisto, até ao próximo Post!

O Porto - Comércio Tradicional

Se bem se recordam (os mais velhos), eu só tenho 25 anos, há uns anos atrás era "chique" sair de casa e ir fazer compras ao Porto, ao comércio tradicional, à mercearia da D. Aurora, ao talho do Sr. Henrique, à Alfaiataria do Sr. Moisés.., podia estar aqui a mencionar nomes fictícios ou talvez não, mas o que é facto é que o comércio tradicional está a perder terreno para as chamadas "Grandes Superfícies". Se por um lado temos a crise dos produtos petrolíferos, por outro, temos as empresas que facultam créditos "a torto e a direito" para podermos comprar plasmas, computadores de alto rendimento, carros de alta cilindrada (se bem que actualmente existem umas equipas especializadas em ou roubar, ou no parque de estacionamento, ou à entrada de casa), as casas de férias no Algarve (para poder competir com o vizinho..), os cães da moda (dogue alemaes, labradores, pastores...) e as férias no Brasil e Cuba e afins.

As empresas sedem 20 mil euros para as pessoas fazerem dele o que quiserem e depois têm a oportunidade de pagar às prestações (MAIS DEPRESSA ou MAIS DEVAGAR). Mas as pessoas simplesmente não têm dinheiro para pagar os empréstimos, por isso pedem mais um para pagar o anterior, e entramos no ciclo, a maioria das vezes, vicioso...

Mas voltando ao tema que me trouxe aqui hoje: o comércio tradicional no centro do Porto. Ora bem, o horário de trabalho de uma pessoa é das 9:00 às 17:00, ou até às 19:00. Ora, é exactamente a essa hora que as lojas do dito "comércio tradicional" estão em funcionamento. Aquando da requalificação da cidade para receber o "PORTO 2001", o maior fiasco cultural que há memória, o presidente da câmara disse que ia entregar dinheiro aos comerciantes para eles estarem abertos até mais tarde, sem terem que tratar da papelada (para legalizar o horário de trabalho) mas quem é que, no seu perfeito juízo sai às 21:00 ou 22:00 para ir à Baixa fazer compras? Por diversas vezes me desloco ao Porto da parte das manhãs, e raras são as vezes em que as lojas da baixa estão com pessoas, além dos funcionários. A polícia raramente anda a pé nas ruas, a não ser em Santa Catarina e Rua de Cedofeita (junto à Ordem do Carmo), e quando os vemos com os carros é para ir passar multas por estacionamento abusivo, o que é mato no Porto: carros em cima do passeio, em cima das faixas BUS (onde também passam, e depressa o INEM - esses sim, trabalhadores a sério), e por vezes em frente às garagens.

Durante a noite a polícia tem medo de sair, e só sai de carro. Faz umas operações STOP para verem se facturam algum e vão felizes e contentes para a esquadra, a fazer contas aos euros, da comissão. Sinceramente não vamos lá. Se quiserem revitalizar o Comércio Tradicional apostem na segurança: primeiro, dos trabalhadores, e depois dos compradores.

Até ao próximo Post!

Pensar nunca fez mal a ninguém...

"Semeia um pensamento e colherás um desejo; semeia um desejo e colherás a acção; semeia a acção e colherás um hábito; semeia o hábito e colherás o carácter..."

(Tihamer Toth)

Bom dia!

Caso Maddie

Caros leitores, hoje estava a tomar o pequeno-almoço descansado quando surge a notícia do dia: o processo da menina inglesa Maddie McCain foi arquivado, e aos pais e a Robert Murat foi retirado o Termo de "Suspeitos". O casal McCain já está em Inglaterra há meses e Robert Murat continua na sua casa do Algarve, com a maior das tranquilidades a passar os dias ao Sol. Agora só resta saber o que irá acontecer:

- Se Robert Murat aceita um mero pedido de desculpa

OU

- Coloca o Governo Português em maus lençóis.

O casal inglês conseguiu o que queria: protagonismo, e publicidade à borla. Mas agora coloco a seguinte questão: será que a PJ e a Procuradoria Geral da República teve os mesmos meios à disposição na procura das crianças PORTUGUESAS desaparecidas, como foi o caso mais mediático, de Lousada, o Rui Pedro. Que actualmente tem 21 anos, e já nada tem a ver fisicamente com a criança que aos 9 anos desapareceu.

Só sendo estrangeiro é que se tem o trato devido por parte das autoridades portuguesas. Quanto a nós, resta-nos esperar por dias melhores. Que o BCP dê finalmente lucros aceitáveis (para distribuir pelos accionistas) e que a GALP se lembre de baixar os combustíveis. Em Novembro do próximo ano há eleições legislativas, e vamos ver se a maioria dos portugueses não sofre da demência de Alzheimer (que só se lembra do que aconteceu há 10 anos, e não se lembra do passado recente...)

Sinto-me envergonhado, como português, dizer que ou isto muda ou mudo eu de país. Sinceramente...

Até ao próximo POST!

quinta-feira, 17 de julho de 2008

A semana em revista

Pois é, caros leitores do blog "Olhar sobre mil palavras...", esta semana foi rica em notícias. Ainda há pouco, por volta das 9:00 deu a notícia que um avião com 322 passageiros a bordo foi forçado a aterrar de emergência em Tóquio. Ao que se apurou a aterragem foi feita sem problemas e não houve feridos e mortos a lamentar...

O Benfica conseguiu finalmente acabar com a novela "Aimar", e têm o nº 10, substituto de Rui Costa. Deve ser um motivo de orgulho para o presidente, porque esta semana teve mais uma derrota na guerra que teima em travar com o Norte, e mais concretamente com o presidente do F.C.P, o Jorge Nuno Pinto da Costa. As coisas a dizer devem ser tantas que é a segunda vez que vai ao programa da Judite de Sousa, "Grande Entrevista", hoje na RTP 1.

O F.C.P, ao que parece, acertou mais uma vez na "murche" ao ir buscar a Lisboa o Cebola, Cristiano Rodriguez. Se as coisas correrem como têm corrido até hoje (no estágio da Alemanha) Cebola já ganhou a confiança do técnico Jesualdo Ferreira e ao que parece vai fazer parte da equipa principal dos tri - campeões nacionais. O FCP conseguiu, ainda esta semana, ganhar o processo que estava pendente no TAS (Tribunal Arbitral do Desporto) na Suiça, ou seja, até ganha na Europa casos mediáticos. Adelino Caldeira foi o representante da equipa azul e branca na Suíça e à chegada ao Porto teceu duras críticas aos adeptos que criticaram a atitude do Dept. Jurídico dos campeões nacionais por não terem "respondido" ao recurso. Ora, não responderam porque o caso estava ganho. Não tinha mesmo pernas para andar. E o Guimarães? Deviam estar caladinhos, porque se bem se recordam, há um ano atrás estavam na 2ª divisão, ou designada Liga Vitalis e agora queria fazer frente a um gigante como o F.C. Porto, que vale 291 milhões de euros... É muita fruta.

A semana fica também marcada pelas declarações do Procurador Geral da República que comunicou a intenção de fazer uma declaração final sobre o caso Madeleine McCain. Ao que as televisões apuraram, o caso vai ser arquivado por falta de provas, mas a Polícia Judicária continua a acreditar na hipótese de "homicídio involuntário", mas de facto não têm provas que incriminem o suspeitoso casal McCain. Aquela mãe nunca me convenceu, e o pai tinha ar de "coninhas". Como se explica o facto de a criança ter desaparecido perto das 21:30 e só chamaram a Polícia às 01:00, depois de terem chamado os representantes da CNN no Algarve? Alguém me sabe explicar?

Fica aqui provado duas coisas:

1º Falta de interesse por parte dos pais
2º Falsidade nas declarações por eles descritas!

Até ao próximo post!

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Sebastião da Gama - O poeta beija tudo

O poeta beija tudo, graças a Deus... E aprende com as coisas a sua lição de sinceridade.

E diz assim: "É preciso saber olhar..."

E pode ser, em qualquer idade, ingénuo como as crianças, entusiasta como os adolescentes e profundo como os homens feios...

E levanta uma pedra escura e áspera para mostrar uma flor que está por detrás...

E perde tempo (ganha tempo...) a namorar uma ovelha...

E comove-se com coisas de nada: um pássaro que canta, uma mulher bonita que passou, uma menina que lhe sorriu, um pai que olhou desvanecido para o filho pequenino, um bocadinho de sol depois de um dia chovoso...

E acha que tudo é importante...

E pega no braço dos homens que estavam tristes e vai passear com eles para o jardim...

E reparou que os homens estavam tristes...

E escreveu uns versos que começam desta maneira: "O segredo é amar..."

Palavras para pensar

- Caminha placidamente entre o ruído e a pressa. Lembra-te de que a paz pode residir no silêncio.

- Sem renunciares a ti mesmo, esforça-te por seres amigo de todos.

- Diz a tua verdade quietamente, claramente.

- Escuta os outros, ainda que sejam torpes e ignorantes; cada um deles tem também uma vida que contar.

- Evita os ruidosos e os agressivos, porque eles denigrem o espírito.

- Se te comparares com os outros, podes converter-te num homem vão e amargurado: sempre haverá perto de ti alguém melhor ou pior do que tu.

- Alegra-te tanto com as tuas realizações como com os teus projectos.

- Ama o teu trabalho, mesmo que ele seja humilde; pois é o tesouro da tua vida.

- Aceita com serenidade o cortejo dos anos, e renuncia sem reservas aos dons da juventude.

- Fortalece o teu espírito, para que não te destruam desgraças inesperadas.

- Muitas vezes o medo é resultado da fadiga e da solidão.

- Sem esqueceres uma justa disciplina, sê benigno para ti mesmo. Não és mais do que uma criatura no universo, mas não és menos que as árvores ou as estrelas: tens direito a estar aqui.

Ao fim de mais um dia...

Não são poucas as vezes, na nossa vida, que paramos um pouco para pensar. À cabeça vem-nos as coisas mais disparatadas, as coisas que podíamos ter feito e deixámos para o dia seguinte, das músicas que podíamos ter ouvido em vez de jogar um jogo na Playstation.

Pensamos naquela velhinha que não ajudámos a atravessar a rua, e que por nossa culpa, ou talvez não, caiu. Por vezes penso, ao final de mais um dia que podia ter feito algo mais. Aproveito esses momentos para fazer uma avaliação ao que fiz, tiro algumas notas de circunstância nos meus diversos cadernos castanhos, penso em quem já não está connosco, mas que acreditamos que esteja onde estiver, está a olhar para nós, e está feliz por nós estarmos felizes, que está triste quando estamos tristes. Que faria tudo para regressar para nos ajudar a ultrapassar mais uma dificuldade.

São nestes momentos do dia-a-dia que paro e penso:
- Será que ficou alguma coisa por dizer? Será que podia ter feito aquilo, em vez de deixar passar mais um dia?

As perguntas são tantas que ficamos sem algumas respostas, não pensamos tão seriamente como deveríamos pensar. Hoje, antes de me deitar vou fazer um relatório. Amanhã quando acordar, talvez tenha obtido algumas respostas.

Seja qual for o resultado final, não nos podemos esquecer que:
- Somos nós, e fomos nós que o desenhámos.

Até ao próximo POST!

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Ordem para visitar


Se é verdade o que dizem

Que um dia Deus desceu à terra

De certeza, que passou

Pelo menos uma vez por aqui


Ver as pontes, o casario

O palácio da bolsa

O edifício Ferreira Borges

O bairro colorido e castiço


Se Deus passou por aqui

Com certeza que regressou

Com o corpo e alma lavados (se for possível!)

Não existem palavras para descrever


Deixo-me ficar por minutos

Perco-me no tempo...

Se bem que perante tal quadro

Não me importo


A torre destaca-se

Impõe-se com a sua estatura

Nem o mais forte pássaro

A consegue alcançar


Na minha cabeça soam-me "Porto de abrigo"

Letra que compus, imagino a Catarina a cantá-la...

Faz-me chorar, saber que amo a cidade

E não poder cá ficar


Abro os olhos

Ligo o carro e avanço

Rumo ao meu ninho

Que um dia chamaram Espinho


Mas nem isso me satisfaz!


De bom fica sempre a promessa

De cá voltar... para te conhecer melhor

Quem sabe um dia voltarei

E daqui não mais sairei!


F-M-A

V. N. Gaia

10-07-2008



segunda-feira, 7 de julho de 2008

Imagem do dia 7-7-2008

Olá leitores do "Olhar sobre mil palavras". Se pensavam que me tinha "reformado" deste mundo dos blogues enganaram-se. Gostava que comentassem a fotografia da semana, está muito simples mas está de facto bela.



Um abraço do vosso amigo




segunda-feira, 30 de junho de 2008

Metamorfose

Para a minha alma eu queria uma torre como esta,
assim alta,
assim de névoa acompanhando o rio.

Estou tão longe da margem que as pessoas passam
e as luzes se reflectem na água.

E, contudo, a margem não pertence ao rio
nem o rio está em mim como a torre estaria
se eu a soubesse ter...
uma luz desce o rio
gente passa e não sabe

Que eu quero uma torre tão alta que as aves não passem
As nuvens não passem
Tão alta, tão alta

Que a solidão possa tornar-se Humana!


Poema de Jorge de Sena
no livro: "Oporto" de João Paulo

A cidade de Garret

"...O Porto é a mais fechada das nossas cidades (daí parecer tão secreta), e eu nunca procurei ganhar a sua confiança - sou um homem do sul, quando a conheci já pertencia a outras luzes, a outras sombras. Vivendo nela como se nela não vivesse, da sua alma sabia apenas o que me chegava na fala dos outros: a rudeza masculina, tão franca que roçava pela brutalidade; a muralha de má catadura, a defendê-la de abusos do poder e de ladrões...".

"... A solidez das suas convicções políticas, forjadas ao longo dos séculos, a pulsação febril e pagã das suas festas; a digestão sonolenta das tripas e do lombo assado regados a verde tinto; a desventrada vitalidade da sua população ribeirinha, onde o descaro da linguagem se mistura ao ruído dos socos - e muitas outras imagens, porque a cidade não é fácil de entendimento, nem amável aos primeiros contactos. Com o rodar dos dias a gente vai-se arrumando: descobre uma rua tranquila onde as árvores se tingem de cores orientais no outono; arranja um gato com olhos cor de miosótis a quem se dedica; ganha afeição a duas ou três pessoas com quem partilha o chá e as opiniões..."

"... Não sai à rua nas horas de ponta para não endoidecer; e acaba mesmo por por descobrir na cidade coisas que só o tempo devagarinho lhe pode trazer: uma intimidade recolhida e serena que os seus nevoeiros espessos frequentemente escondem; uma concentração no trabalho, que é outro dos nomes do amor; um orgulho refreado de se saber herdeira do espírito e das brumas românticas do Norte..."


In: "Oporto" - de João Paulo